Grupos TERRITÓRIO e DEMOCRACIA
Estando os temas interligados, é necessário melhorar a nossa capacidade de intervenção territorial e avançar propostas para que os serviços públicos se tornem mais inclusivos e os sistemas de distribuição e consumo mais amigos dos consumidores e dos produtores locais. O que coloca a questão de se saber se as ADL correm o risco de se tornarem meras executoras do poder neoliberal. A esta preocupação levantada pelos participantes, os mesmos responderam com que é necessário reforçar o papel da educação enquanto processo ao longo da vida e com o envolvimento das comunidades para prevenir este possível risco.
Questionando-se sobre como se pode ser solidário num contexto competitivo, de que forma a sociedade civil pode nele ter voz, concluirão que a democracia é uma aprendizagem contínua (as sociedades de hoje são genericamente mais democráticas que as anteriores e, certamente, as do futuro mais que as de hoje). A democracia avança a passos lentos, limitados, e não por saltos qualitativos.
Constatando que a economia dominante não beneficia as comunidades, apontou-se a necessidade e a importância de questionar e decidir coletivamente a nível territorial e de se criar espaços de inovação e criatividade social.
Grupos IGUALDADE e ECOLOGIA
Refletindo sobre a Igualdade, os participantes consideraram ser necessário libertar a mulher das tarefas caseiras de forma a que ela tenha tempo para si. O TEMPO não é igual para todos!; que a igualdade se deve estender tanto ao espaço público como ao privado, pelo que as necessárias mudanças não implicam que uma maior liberdade num dado domínio se façam à custa ou à revelia de outros; que é necessário democratizar as emoções, isto é, deixar de considerar que as mulheres são por natureza mais emotivas que homens; também é necessário que a Estratégia Nacional para a Igualdade e não Discriminação esteja coordenada com as estratégias locais; que é necessário retirar o Cuidado da invisibilidade e envolver as escolas e as famílias no combate às desigualdades, aos estereótipos e preconceitos.
Relativamente às questões ecológicas, a questão que hoje se coloca é a da transição para um outro sistema, que seja sustentável e capaz de garantir a sobrevivência do planeta em toda a sua biodiversidade e da espécie humana em particular. O que coloca a questão de se alterarem os hábitos de consumo, de preservação dos recursos, de criar uma economia de bem-estar, num processo de transformação democrática participada, que rejeite a especialização e iliteracia. Um processo que exige consciência crítica e refletiva, comunidades educadas e informadas para que possam pensar os ecossistemas e construir outros futuros, saber como incorporar os princípios ecológicos nas práticas, compreender as interdependências entre sistemas e que a existência de um não implica a destruição de outros.
A 14ª edição da MANIFesta é promovida ao abrigo do projeto Animar – Capacitar para Agir em Rede III, financiado pelo Programa Operacional de Inclusão Social e Emprego.