Em 2017, assistimos ao crescimento do movimento #metoo nos Estados Unidos da América, o qual ganhou força após uma onda de denúncias de violência sexual no mundo do cinema. Em Portugal, nesse ano, o movimento surge mas de forma pouco expressiva.
Contudo, o #metoo começa agora a ganhar maior dimensão em Portugal, diante das recentes partilhas de histórias de assédio vividas por figuras mediáticas, trazendo novamente para a agenda pública este tema e dando visibilidade a alguns comportamentos violentos que nós, mulheres, vivenciamos constantemente ao longo das nossas vidas, nos mais diversos contextos.
Compreendemos a violência sexual enquanto um produto das relações sociais desiguais entre homens e mulheres e, ao mesmo tempo, como forma de manutenção dessa realidade historicamente hierarquizada. Esta violência é perpetuada pela cultura da violação, um contexto no qual comportamentos machistas, sexistas e misóginos, que culminam muitas vezes em agressões sexuais e outras formas de violência contra as mulheres, é naturalizado e legitimado.
A boa notícia é que, dado tratar-se de uma cultura socialmente construída, pode e deve ser desconstruída. Para que isso ocorra, é necessária uma mobilização generalizada, em que todas as esferas da sociedade participem.
É nesse sentido que nasce a Campanha Stand by Her. Uma campanha de prevenção da Violência Sexual que resulta da colaboração entre os projetos “VIVA - Vê, Informa-te, Vai e Age” e “Não é Não!” da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).
Stand by Her surge, então, com o objetivo de visibilizar a violência sexual, por um lado e, por outro, despertar para o papel fundamental que os/as bystanders (pessoas que testemunham um comportamento de violência sexual e têm a oportunidade de agir para impedir e/ou denunciar o acto) podem desempenhar enquanto agentes ativos/as no combate à violência sexual.
Se podes olhar, vê. Se podes ver, age.
*Bystanders: pessoas que testemunham um comportamento de violência sexual e têm a oportunidade de agir para impedir e/ou denunciar o ato.
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