No âmbito da dinamização regional, foi desta vez, desafiada a Atahca (Associação de desenvolvimento local das terras Altas do Cávado), para dinamizar a sessão. Num processo participado e colaborativo com a dinamização, acordou-se que seriam as Aldeias da Saudade o mote para a exposição e reflexão, definindo-se como prioritário para enriquecer o debate, alargar o painel convidados e partes interessadas, através de dois projetos de reconhecido impacto turístico local e regional, quer nas dimensões sociais, ambientais e económicas. A saber: Urjalândia: Aldeia Natal e Urjalândia a circular (na aldeia da Saudade de Urjal, no concelho de Amares), o Parque Cerdeira (Parque de campismo Rural, em pleno Parque Nacional do Gerês).
Com uma audiência de mais de 50 participantes, deu início a sessão o Presidente da ATAHCA, o que retratou a evolução histórica da marca territorial e identitária das Aldeias da Saudade, e a sua importância como elo agregador de vontades, parcerias entre o público e o privado, investimentos públicos e privados.
A lógica das Aldeias da Saudade, está muito associada ao mundo rural e aos territórios de baixa densidade, que pese embora o esforço concertado de todos, tem sofrido um acentudado processo de desertificação, Não há desenvolvimento, nem turismo sem pessoas, em especial a população local. E se atividade turística agrega valor, e representa uma oportunidade real de desenvolvimento, este merece mais cuidados e atenção do poder político.
O conceito das aldeias, está ainda associado a preservação dos usos, costumes e manifestações tradicionais (artesanato, gastronomia, produtos agrícolas, danças e cantares, etc), recuperação do património (casas minhotas, espigueiros, sequeiras, fontanários, etc). Por último falou-se do papel ambiental do turismo, como guardião e jardineiro das paisagens rurais, bem como da seu relevo social, através da criação de emprego, embora sazonal e ainda complementar a outras atividades.
O projeto Urjalândia - Aldeia Natal e Urjalância a circular, é um excelente exemplo da iniciativa de base comunitária de base local. A aldeia de Urjal, após o final de alguns financiamentos públicos, a população “per si”, tomou a iniciativa de dinamizar a aldeia. O primeiro passo envolveu as pessoas da própria aldeia, depois procurando parcerias e depois, nomeadamente da Junta de Freguesia e autarquia. Tratando-se de um projeto e processo de base
emocional (ligação e orgulho de ser da região), assente em práticas e produtos “reais”, genuínos, nada massificados, rapidamente escalou fronteiras, e tornou-se um caso de sucesso. Os três dias do projeto - Aldeia natal - pese embora a altura do ano (frio e chuva), representa um verdadeiro mercado de proximidade e de circuito curto de produtos agrícolas e artesanais. Uma oportunidade para a população local escoar os seus produtos e os visitantes satisfazerem as suas necessidades, através da garantia de aquisição de produtos genuínos.
Pela seu enquadramento de montanha e potencial ambiental, a questão da sustentabilidade ambiental circular, mereceu a devida atenção dos responsáveis, sendo para tal revitalizado um caminho pedestre em torno da aldeia e criado um centro de interpretação ambiental para a população em geral, em especial dos mais jovens, através da recuperação de uma antiga escola primária (arquitetura Raul Lino).
Por último, o Parque Cerdeira, integrado em pleno Parque Nacional Peneda do Gerês (único parque Nacional de Portugal), com mais de três décadas de existência, tem no seu modelo de negócio uma declarada aposta na sustentabilidade (ambiental, social e económica), através de um turismo de nicho.
Existe uma preocupação com a integração do projeto no ambiente envolvente, no respeito pela populações onde se insere, estimulando sempre que possível a sua inclusão nas atividades de animação do empreendimento, no preenchimento dos quadros de pessoal (preferência as mulheres), ou a participação do Parque Cerdeira na atividades da aldeia, como a limpeza e florestação das matas, nas festas e romarias, na divulgação do artesanato, etc.
A sua política de inclusão e sustentabilidade e respeito aos princípios da agenda 2030, estão plasmados nas várias certificações que detêm, nomeadamente, entidade empregadora inclusiva, Tur4all (turismo para todos), Acessibilidade para cegos, acessibilidade a mobilidade reduzida (Prémio ADAC 2021: Demographic change & acessibility 2021) e Guias do prado Cerdeira (Prémio Natural.pt awards 2018)
Após um participado debate, podemos concluir que o Turismo de base Local é uma das atividades mais bem colocadas para assegurar a revitalização do tecido socio-económico rural, sendo tanto mais forte e eficaz, quanto mais defender e potenciar os recursos endógenos, as tradições, a história e a cultura de cada local e região.