Vez e Voz 2020
Autores/as
VáriosSinopse
Esta edição da revista da Animar, Vez e Voz, é dedicada às alterações climáticas/aquecimento global.
Editora
Animar - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento LocalSobre
EDITORIAL
Não há planeta B
Marco Domingues
ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/ AQUECIMENTO GLOBAL
O ciclo vicioso das alterações climáticas
Rúben Oliveira, LPN
Reconciliar economia e ecologia: condição necessária para um futuro sustentável
Álvaro Fonseca, Rede para o Decrescimento
Alterações climáticas e biodiversidade
Helena Freitas, Universidade de Coimbra
O binómio vulnerabilidade e resiliência na estruturação dos processos de desenvolvimento local: a experiência da Oikos em Moçambique
João José Fernandes, Oikos
Alimentação e sustentabilidade dos ecossistemas
Duarte Marques, AguiarFloresta
Sistemas alimentares locais & animação territorial – Contributos para uma estratégia de valorização da pequena produção
Artur Gregório, In Loco
ALIMENTAÇÃO! CIRCUITOS CURTOS AGROALIMENTARES
O direito humano à alimentação em tempos de pandemia
Tânia Gaspar, Animar
REGISTO
- Animar defende revisão da composição do Conselho Económico e Social (CES)
- Parecer da Animar sobre a transferência de competências para os órgãos municipais e para as entidades intermunicipais no domínio da Acção Social
- Reflexão e recomendações para políticas públicas e fomentadoras do desenvolvimento local e da coesão social e económica
- Animar propõe o reforço de medidas de apoio para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade psicossocial e económica
- Animar pede reforço de medidas de apoio às comunidades ciganas
- Em defesa dos direitos dos imigrantes – por um tratamento justo e humano dos imigrantes
NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
- Objectivos do desenvolvimento sustentável/Agenda 2020 – Indicadores para Portugal
- Biodiversidade das terras agrícolas. O contributo da PAC não travou o declínio – Relatório especial
- O uso da água em Portugal – 10 ideias-chave
- Plano metropolitano de adaptação às alterações climáticas/Resumo
- Água é vida
- O ambiente na europa: Estado e perspectivas 2020/Sumário executivo
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EDITORIAL
Não há planeta B
As alterações climáticas provocadas pelo aquecimento global foi o tema escolhido para esta edição da revista Vez e Voz. Com esta escolha pretendemos contribuir para o debate e o esclarecimento de quem nos lê, em particular os associados e associadas da rede Animar e demais agentes do desenvolvimento local e da economia social e solidária, áreas particularmente sensíveis às questões ecológicas dado o impacto que estas têm na qualidade de vida das pessoas. Para isso convidámos pessoas conhecedoras das questões ambientais, com conhecimento académico e empírico, cujas abordagens nos dão um retrato diversificado, ainda e naturalmente sempre incompleto, dos problemas que hoje se colocam a todas e todos nós, para que a humanidade de hoje e do futuro tenha as condições de vida e de bem-estar asseguradas.
Diz-nos a ciência que se não forem tomadas medidas urgentes e robustas, à escala global, a humanidade será extinta, dado estarmos a atingir um ponto de não retorno. Aquele a partir do qual a natureza já não é capaz de absorver a poluição, os níveis de CO e outros gazes com efeito de estufa acumulados na atmosfera, repondo assim, o equilíbrio ecológico necessário à existência de vida humana. São várias as evidências, fazendo-se sentir com crescente gravidade, ano após ano. Por exemplo as secas, a subida da água dos oceanos, os incêndios devastadores, o desaparecimento de espécies ou a descaracterização das estações do ano, que acarretam graves consequências sociais, atualmente já sentidas, tais como as migrações em massa, as guerras, a pobreza e as epidemias, empurrando a humanidade para o limite da existência.
É um dever de cidadania contribuir para uma maior justiça climática, contribuindo para que a sociedade civil seja parte da solução na procura de medidas para banir o uso dos plásticos, as culturas intensivas, a manipulação genética de animais e plantas (cujas consequências desconhecemos), acabar com o desperdício e a sobreprodução de alimentos. Há que igualmente repensar os modelos de desenvolvimento e rejeitar o atual, cuja lógica não é a da satisfação das necessidades humanas. O que significa passar a olhar para a agricultura familiar com outros olhos, apostar nas energias limpas, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, alterar hábitos alimentares, de consumo e mobilidade, inventando uma outra economia e reforçando a economia solidária, e um outro planeamento urbano e de ordenamento do território que não favoreçam o despovoamento, o crescimento das cidades e a manutenção de indústrias predadoras dos recursos naturais e alheias à economia circular e à sustentabilidade ambiental.
Porque entendemos que o desenvolvimento local e a economia social e solidária não são indiferentes a estas questões, e que há muito veem pugnando por uma tal transformação, desenvolvendo experiências e acumulando saberes na criação de alternativas comunitárias ao sistema económico dominante – sustentáveis e preservadoras da biodiversidade –, demos voz ao que na rede Animar se vem fazendo nesta matéria, nomeadamente pela voz das organizações Oikos e AguiarFloresta e do ProjectoAlimentAção, esperando que este possa ser um contributo e um impulso para continuarmos a lutar pela nossa casa e causa “comum”, a sustentabilidade da humanidade como parte igual da biodiversidade, partilhada com tantas espécies no nosso extraordinário mundo…
Marco Domingues, Presidente da Animar